10 ídolos do futebol português dos anos 80

Os anos 80 são uma época de charneira do futebol português. Depois do êxito da Seleção Nacional no Campeonato do Mundo de 1966, em que Eusébio e companhia conquistaram um brilhante lugar nas Meias Finais da competição, a seleção e os clubes portugueses entraram numa certa penumbra durante os anos 70. Contudo, nos anos 80, tudo mudou!

Primeiro, foi a Seleção Nacional a dar o mote; após a presença conturbada no Mundial do México, com a sombra do caso Saltillo a pairar, veio o brilhante Campeonato da Europa de 1984, em que Portugal alcançou as Meias Finais da prova. Depois, vêm os grandes sucessos ao nível de clubes: em 1987, o FC Porto conquista, brilhantemente, a então designada Taça dos Campeões Europeus e no ano seguinte Portugal só não repetiu o feito porque, na final, o  SL Benfica não teve a sorte do seu lado e perdeu o título europeu nas grandes penalidades com o PSV Eindhoven.

Conheça 10 ídolos do futebol português desta época mítica. Eles estão ordenados por ordem alfabética e são apenas dez dos melhores jogadores que ficaram na história do futebol nacional.

1. Carlos Manuel

Médio formado na mítica CUF do Barreiro, de onde é natural. No entanto, foi no SL Benfica que mais se notabilizou. Aí jogou durante nove temporadas. Na fase final da carreira representou ainda o Sporting CP, Boavista FC, e GD Estoril Praia.

Tratou-se de um médio com grande capacidade física, um jogador com uma enorme qualidade técnica e tremenda generosidade, nunca regateando esforços. Foi na sua época que, a propósito do seu estilo de jogo, se generalizou a expressão “carregador de pianos” para adjetivar este tipo de jogador. Ficou famoso também pelo magnífico e precioso golo apontado na Alemanha, no jogo RFA-Portugal que carimbou o apuramento da Seleção de Portugal para o Mundial de 1986.

2. Chalana

Começou a dar os primeiros passos no Barreirense e em 1973 transferiu-se para o Benfica onde viria a permanecer durante 10 anos consecutivos. Depois deste período saiu do clube da Luz e tornou-se o primeiro futebolista português com uma carreira internacional de algum sucesso. Esteve três épocas ao serviço do Bordéus, de França, e regressou ao Benfica por mais três anos, antes de prosseguir a carreira no Belenenses e Estrela da Amadora.

A caraterística que o levou ao patamar de ídolo foi a sua técnica deslumbrante: a sua finta curta notabilizou-o dos demais. Sem dúvida, um dos maiores tecnicistas de sempre do futebol luso.

3. Fernando Gomes

Fernando Gomes é, sem dúvida, um dos melhores pontas de lança portugueses de todos os tempos. Ele foi formado no FC Porto, onde passou a maior parte da carreira: 16 épocas. Apenas intercalou aí uma passagem de 2 anos pelo Sporting Gijon, de Espanha, e terminou a carreira com duas épocas ao serviço do Sporting CP.

Gomes tinha todas as qualidades de um grande avançado centro: excelente jogo de cabeça, remate colocado e pronto e, acima de tudo, uma tremenda frieza e objetividade no momento do remate. Tudo isto com um fair play e uma correção notável: um cavalheiro do futebol.

4. Humberto Coelho

Humberto Coelho foi um defesa central de excelência. Ele começou no Ramaldense, em 1956. Fez carreira no Benfica, onde jogou de 1966 a 1984. Pelo meio realizou uma passagem de dois anos pelo PSG e esteve uns meses em Las Vegas (1977). Nos anos 80, era já um atleta com grande experiência, o que fez dele um pilar indispensável na seleção e no seu clube. Era um central muito calmo  e com grande sentido posicional. A sua segurança e tranquilidade faziam dele um obstáculo quase intransponível para qualquer avançado adversário.

5. Jaime Pacheco

Um verdadeiro furacão do futebol português. Atuava como médio defensivo e colocava em campo uma garra, uma genica, um espírito guerreiro que é muito raro encontrar-se no futebol. Começou no Aliados de Lordelo em 1976 e terminou no SC Braga em 1994. No entanto, foi no FC do Porto que mais se notabilizou, entre 1980 e 1989 com duas épocas de permeio ao serviço do Sporting CP. Na parte final da carreira, jogou em Setúbal e Paços de Ferreira, antes de terminar em Braga.

6. João Alves

Ficou conhecido como o “luvas pretas” por atuar sempre com tal adereço. Era um médio formado na AD Sanjoanense e no Benfica, onde fez a maior parte da carreira, que terminou em 1985. Pelo meio atuou em clubes como Varzim, Montijo, Salamanca, PSG e Boavista, onde terminou a carreira.

A capacidade de drible curto era a sua principal caraterística, mas destacava-se também pela visão de jogo e por aparecer muitas vezes na zona de finalização, marcando bastantes golos.

7. João Pinto

O João Pinto foi um defesa direito que ficou na história do futebol português, não só pela sua categoria como jogador, mas também por ter sido autor de algumas frases curiosas como a célebre “prognósticos só no final do jogo”. Fez quatro épocas nas camadas jovens do Oliveira do Douro, entrou para o FC do Porto em 1981, de onde só saiu em 1997, quando terminou a carreira.

João Pinto foi um dos melhores defesas direitos de sempre do futebol português, pois além da técnica, imprimia uma velocidade contagiante ao seu flanco.

8. Jordão

Avançado formado no Benfica, onde jogou os primeiros seis anos da carreira. Depois atuou no Saragoça, Sporting e Vitória de Setúbal, onde terminou a carreira. Foi no Sporting que fez a maior parte da carreira.

Jordão era um avançado que se distinguia dos demais pela sua calma e frieza. Com uma certa “elegância” no estilo de jogo, foi um dos melhores jogadores de sempre do clube de Alvalade.

9. Nené

Nos meios de comunicação social da época brincava-se com o facto de Nené nunca sujar o equipamento, por mais enlameado que o relvado estivesse. Esta afirmação tem como pano de fundo o estilo elegante e sereno deste avançado, que não precisava de “ir ao choque” para ganhar os lances. Possuía uma técnica pouco usual num avançado centro e uma grande calma e precisão no momento do remate.

Começou a carreira no Benfica em 1967 e terminou a carreira no clube da Luz em 1985, ou seja, nunca conheceu outro clube.

10. Paulo futre

Paulo Futre é talvez o melhor jogador português que apareceu entre Eusébio e Luís Figo. Começou no Montijo em 1974 e terminou na equipa japonesa do Yokohama Flugels, em 1998. Ao longo desses 24 anos percorreu vários clubes: nove épocas no Sporting, três no FC do Porto, seis no Atlético de Madrid, uma no Benfica, uns meses no Marselha, dois anos no Reggiana, uma época no Milan, uma outra no West Ham para terminar no Japão.

Pode dizer-se que Futre espalhou o perfume do seu futebol por todo o mundo e encantou plateias com a sua técnica primorosa, velocidade estonteante e apetência notável pelo golo.

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